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07 março 2010

Dia de...Mulher (Paradoxo Feminino)










  Gosto muito de História, desde os tempos de menina, sempre me senti fascinada por essa matéria, sempre houve à minha cabeceira, um livro de História das Civilizações, no qual, eu instintivamente, procurava pela participação da mulher na história do mundo, e foi, ou melhor, é até hoje, gratificante o resultado, percebe-se que, muitos detalhes importantes à respeito da mulher foram suprimidos, ou no mínimo, não receberam a devida atenção, mas a mulher foi pilar incontestável. A mulher sempre teve presença relevante, mesmo quando oprimida. No Japão feudal, quando um Samurai ausentava-se da casa pelo serviço ao seu senhor, cabia á "frágil" esposa, defender a família e a propriedade, e o faziam com bravura, esmeravam-se no manejo de armas, e são até hoje, personificação de abnegação e delicadeza. Em muitas das tribos ancestrais do Sahara, os homens só saíam para a batalha, após terem os rostos pintados por suas mulheres, caso contrário, causariam  a ira dos Deuses, pois só a mulher possuía o "Toque Divino". Na cultura Celta, as mulheres eram veneradas, eram as doces bárbaras, sensuais, femininas, mas também  guerreiras impiedosas. Não poderia deixar de citar também, as bravas mulheres de Esparta...Enfim, a História do antigo mundo, mostra claramente a mulher na sua plenitude, feminina e guerreira. Atualmente, vejo que as mulheres, preocuparam-se tanto com a guerra feminista, que esqueceram-se da feminilidade...os sutiãs foram queimados, as calcinhas rasgadas, e a mulher ficou nua...nua de si, nua de amor. Era tão necessário libertar-se do jugo masculino, que por fim, a mulher se escravizou ao conceito de se igualar ao homem, fato esse que até hoje não consigo entender, haja visto que é justamente a diferença que nos leva em direção ao conhecimento, é a diferença que nos faz buscar o entendimento do outro, claro que isso não justifica conceitos pré determinados do tipo homem forte e mulher frágil ou mulher chora, homem não chora, isso é arcaico, descabido. Percebo que a mulher pulou da caldeira para o fogo, e o pior, sem se dar conta disso. Lutamos tanto pelo direito de ser mulher, de fazer a nossa voz ser ouvida, degladiamos pelo nosso lugar ao sol, e no final de tanta luta, tanta dor, jogamos o nosso maravilhoso mundo mulher nos esgotos...Tudo pela liberdade. Mas eu me pergunto, que liberdade é essa que escraviza?...Sim, porque na verdade, nos tornamos novamente escravas, só trocamos de Senhor. Somos escravas de uma solidão profunda, na medida que, além do nosso agir, gritando aos quatro ventos "Não precisamos dos homens!", queremos também, igualar às deles as nossas almas, por que, e para que, sermos iguais em tudo? Que beleza há? Se a perfeição está exatamente em pensarmos e executarmos, tudo, de formas diversas. Perdeu-se a poesia do co-existir, não há mais o côncavo e o convexo, que por sinal, me lembra, o dormir em "conchinha", conchinha essa que é uma das maiores delícias para a alma de uma mulher. Dormir como a pérola no berço da ostra. Não há mais tempo na vida da mulher para cuidar do seu homem, nem da sua casa, nem do seu jardim, parece que isso, atualmente, diminui a mulher...Que gigantesca tolice!  Em que, é desonra para mulher, deixar uma casa perfumada, filhos sorridentes e jardins floridos?...O que há de humilhante, em aconchegar tantas almas amadas, ao mesmo tempo, no colo, como é da natureza feminina?... Somos Heroínas, Fadas, Deusas, somos O bravo Samurai...
O que muitas vezes, me envergonha em ser mulher, é perceber o quanto uma parte dessas mulheres, se deixa desvalorizar e ridicularizar, mulheres essas, que acham lindo  não ter postura, decência, regozijam-se por terem o mesmo comportamento que tanto criticam nos homens. Como posso, racionalmente falando, acusar os homens, quando a própria mulher, semeia determinadas atitudes, no comportamento masculino?
Acho que tanta luta nos atordoou, perdemos nossa direção, nossa dimensão, nos tornamos ínfimas ao reverso do infinitas que somos. Quantas mulheres lamentam a falta de um amor, da sua "cara metade", aliás...Que cara metade?  Não somos agora iguais aos homens?  Então não há uma metade. Anexamos direitos, mas cortamos também os laços da alma. O "ser mulher" agora, para muitas, é afogar-se em mares de promiscuidade, corpos sarados exuberantes e coração vazio, o sexo tornou-se artigo de brechó ou leilão, o mais sublime momento de amor entre duas almas, transformou-se em algo asqueroso e banal, além de barganhável. Não há mais a troca de olhares, a sedução, o encantamento que vem pelo cheiro, pelo toque, pelo afago, pelo sussurro acanhado ao ouvido, o desejo aflorando à pele. Não há mais o "dengo" feminino, e que lindo é um dengo de mulher! Um dengo de mulher, domina um gigante, derruba fortalezas, vence guerras. Não há mais o desnudar da mulher, e não denoto aí nenhum puritanismo, de maneira alguma, não sou do time dos hipócritas, falo do desnudar por inteiro, o desnudar dos nossos desejos mais secretos, nossos sonhos, nossos fetiches, nossos pensamentos e idéias. Não permitimos mais ao homem, nos descobrir como mulher, e se encantar com essa descoberta. Como então, os homens saberão que somos as filhas da Mãe Terra?...Que temos a força do Universo em nossas almas?...Que faremos levantar os mares e desabar as montanhas, com o nosso amor?...Como saberão que somos bruxas com sabedoria milenar?  Não saberão, nunca, se cada passo que dermos, for dado em direção à sermos iguais  à eles. Cada vez que ouço, uma mulher dizer que os homens não sabem amar, que não prestam, penso que de certa forma, "perdemos a mão" na luta pela igualdade, nos fizemos peças descartáveis nas mãos dos homens, e estes por consequência, deixaram de ser Homens para serem só machos que colecionam genitálias femininas, queríamos a liberdade, conquistamos a solidão. Eu, por minha vez, sinto-me orgulhosa, quando encontro uma mulher guerreira, que ainda cuida do seu homem, da sua casa, do seu jardim, e não trocou a sensualidade pela vulgaridade...Uma mulher que se sabe mulher. Felizmente, não tenho vergonha alguma de ser a "mulherzinha", de ser dengosa, de fazer beicinho, de ser protegida (mesmo que eu não precise), de deixar ele "mandar" e eu faço de conta que obedeço, de aceitar seu braço forte, de deixar ele sentir ciuminho, não tenho vergonha de me calar para ouvi-lo, até porque, quando a minha voz se fizer ouvir, será estrondosa, e não me refiro ao volume, mas sim à firmeza e intensidade...Assim como não me envergonho de satisfazer os desejos do meu homem, não tenho vergonha de fazê-lo feliz sentindo-se senhor de mim, porque, pertencer à alguém não agride trâmites legais ou ideologias, pertencer à alguém, é estar encravado na alma de quem se ama...pertencer à alguém é a firme e consciente escolha de um coração livre.
Gostaria de poder gritar à essas mulheres, que ainda não se sabem mulheres: ACORDEM!!!...Liberdade não é transitar de cama em cama, de corpo em corpo, procurando por uma felicidade efêmera, quimérica, liberdade não é  modelar o corpo e abandonar a essência,  liberdade é um orgasmo infinito, é o prazer e a certeza de amar e ser amada. Liberdade é a felicidade incomensurável e imutável de ser simplesmente...Mulher!!! 







No Dia Internacional da Mulher, 
dedico esta crônicaà todas as mulheres, 
guerreiras incansáveis na luta por ser Mulher.
Parabéns, Mulheres!







Khalit Sabanur



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