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26 abril 2010

Contágio










   Queria entender,  o antagonismo dos corações humanos...
É curioso, como encontro respostas para perguntas complexas mas não encontro para as perguntas simples dos nossos dias. Acho que se tornou mais fácil termos  as respostas exatas,  científicas,  até  mesmo as  das estatísticas  e  probabilidades,  do que termos as respostas do coração...
Vivo cercada de pessoas que dizem buscar o amor, a sua metade, sua alma gêmea, a "tampa da panela", mas nunca encontram...aí eu pergunto, por que será? E é aí que a coisa se complica, mais fácil seria decifrar o enigma das pirâmides. Será que o motivo é a vulgarização do verbo Amar?...Aliás, alguém atualmente, sabe o real significado desse verbo? O que reparo com frequência é uma idolatria desenfreada aos corpos sarados, malhados, homens e mulheres primando por desfilarem com corpos Apolíneos, sem se importarem com o fato de terem mente e alma totalmente sem conteúdo, sem forma, sem definição. Exercitar neurônios nem pensar! Não importa para o seguidor de Apolo, se ao abrir a boca colocará em uma  mesma frase "menas, pobrema, oculpado" e similares, assim como a sua versão feminina também não está preocupada com a Teoria Do Caos, mas sim com  exuberância dos seus seios e glúteos siliconados, para total sucesso da azaração. A antiga e deliciosa paquera, com aquele olhar insinuante e discretamente convidativo, foi substituída por um radar que busca pela chave de um carro ou pelos cartões de crédito que saem e entram nas carteiras. Perguntas que antes eram, "Qual seu nome?", "Está acompanhada?", "Podemos conversar?", "Posso te ligar?", foram brutalmente substituídas por "Onde mora?" (bairro com status?), "Tem carro?" (qual a marca?), "Trabalha em que?" (quanto ganha?), "Tá afim de sair?" (vamos transar?). O sexo, companheiro inseparável do Amor e tudo de maravilhoso que unia homem e mulher em cumplicidade total, virou elemento de alta rotatividade, não há mais desejo do "Ser", é só catabolismo, necessidade biológica ou exercício de vaidade, enfim...O material, o fútil, tomou o lugar do sentimental, da emoção, vivemos mergulhados em uma constante prevenção, além de não ser mais conjugado o verbo, desacreditamos do Amor e de tudo de bom que ele pode nos causar. Cada vez que nos deparamos com um gesto de carinho, de suavidade e afeto vindos de alguém, pensamos imediatamente, "O que será que está querendo?", "Tá sendo sincero(a) ou viu meu carro novo?". Gosto muito de uma frase dita por Gandhi, "O covarde é incapaz de demonstrar amor, amar é uma prerrogativa dos bravos."...e é impossível não perceber a verdade contida nessa frase, precisamos mesmo de coragem para nos entregarmos ao Amor, nos dias atuais, até porque, masculino e feminino parecem sentir medo da felicidade, buscam por ela com passos trêmulos, incertos. Estamos algemados de tal forma ao material, que não valorizamos a essência, não acreditamos na existência daquilo que dizemos buscar, parece que perdemos a capacidade de sonhar e se sonhamos, deixamos em último plano a idéia de transformar esses sonhos em projetos de vida, desprezando a possibilidade de realizá-los. O medo de amar é tão grande, que cada vez que demonstramos o quanto queremos bem alguém, esse alguém se vê caçado, amedrontado, enquanto deveria se sentir pleno, feliz. E nessa ausência total de Amor, construímos casas mas não temos um Lar, cuidamos do físico mas deixamos minguar a alma, amealhamos bens e jogamos no lixo o coração, engordamos nossas contas bancárias e definhamos a cada dia...sozinhos. Ás vezes, tenho a impressão que amar virou emprego, e para tê-lo, precisamos preencher um "Curriculum Vitae", temos que ter a altura tal, ganhar o salário tal, gostar da música tal, ter a medida tal, morar no bairro tal, dirigir o carro tal...e nessa ciranda fria e efêmera, esquecemos que o Amor não tem medida, tempo, status, formação acadêmica; Amor não escolhe etnia, crença, profissão, título; Amor é abiogênese na Alma, não tem hora, lugar ou motivo para acontecer. Amor nasce para cuidar e ser cuidado...
Constantemente ouço alguém, entre gargalhadas, me chamar de ridícula, palhaça, doente ou louca, por acreditar no Amor; paradoxalmente, me sinto feliz por ser "adjetivada" dessa forma...porque enquanto houver alguém ridículo, palhaço, doente, louco como eu, que mantenha o vírus do Amor vivo dentro de si, haverá também o risco de contágio, e essa doença chamada Amor, eu faço questão de espalhar...

Feliz daquele, que ainda se permite contagiar pelo Amor!




Khalit Sabanur

1 Comentários:

mara*

Ser uma eterna sonhadora, mesmo nas manhãs frias, nas tardes solitárias e nas noites eternas da lágrima mais chorada e mais doída e encontrar os pedaços perdidos para recomeçar e se misturar novamente. O amor já teve esse toque sagrado de recomeçar, a magia deliciosa de perder-se dentro dos olhos, o amor já teve um porto para ancorar. Hoje, está pelas ruas, sem rumo, é uma propaganda enganosa. Não se ouve mais: só eu sei o quanto amei!, mas ‘só eu sei quantos(as) amei’. Estamos virando coisas, um bem de consumo.

Beijos garota.

Estou um pouco ausente, mas não desaparecida.

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