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28 junho 2011

Professores...Ancoradouros Eternos





 Choi,Sung-Bong...










 
 
 
 
 

 
   um pequeno-grande-guerreiro que aos 22 anos diz: “quando eu era jovem”. Um sobrevivente que pisou pela primeira vez em uma sala de aula, no ensino médio, após dedicar-se, lutar com todas as suas forças, pela conquista do seu diploma do ensino fundamental, através do supletivo. Enfim,  é incontestável  a determinação desse jovem...
Mas há algo, que tocou o âmago, a essência do meu espírito...em determinado momento, quando inquirido sobre, ter estudado música, a resposta dele foi:  “Eu teria aulas com um Mestre, se tivesse chance!”. Essa frase calou fundo...
Provavelmente, a maioria deduza que, o que me tocou foi a “necessidade”  intrínseca; a falta de recursos inerente ao jovem Choi, declarada na frase. Não!
Não foi o “público e notório” que sacudiu minha alma, mas a reverência que esse jovem - tão maltratado pela vida – faz ao sonhado Mestre. Mestre esse que ele nunca teve, mas sabe da grandiosa relevância deste para seu futuro, para o futuro dos seus sonhos; para seu crescimento e aprimoramento, independentemente do seu talento nato.
   Choi, dá ao termo Mestre, a devida magnitude; nas entrelinhas, clama e proclama ao mundo, que nenhum de nós é “alguém”, sem a presença dos Mestres em nossas vidas.
Sem Mestres não há crescimento, aprimoramento, realização plena...
Esse pequeno-grande-guerreiro, fez-me sentir vergonha!  Vergonha de ver o nosso governo, pisar na Educação e nos Mestres como se insetos nocivos fossem. Senti-me envergonhada de saber, estampadas em jornais do Brasil e do mundo, notícias de professores ameaçados, maltratados, espancados, agredidos física e moralmente, por alunos criados na cartilha do “sou di menor, meu velho é chapa quente”...e pais detentores  da filosofia  de “passar a mão na cabeça” da “pobre criança”...
Quando não, vejo a casta política e politiqueira, que na ausência de respaldo de caráter, cita Sun Tzu para justificar a sua total incompetência, desconhecendo, inclusive, que o talento desse grande estrategista, oriundo foi, da forja disciplinar de alguns Mestres; Mestres esses, que por Sun Tzu sempre foram honrados.
Triste, lamentável ver, que instaurou-se no Brasil a treva do “não-saber”. Pais alimentando filhos monstros, governantes corruptos corrompendo a Educação, reles administradores  fazendo citações errôneas, equivocadas, tentando encobrir sua busca pelo poder e a bestialidade do massacre aos educadores e Educação, inclusive, com salários indignos equiparando-os aos prisioneiros das galés.

O que há de futuro, quando é apagada a luz da cultura?

O que será de um Brasil, lançado ao cárcere trevoso da ignorância?

Qual o destino de um povo apartado do saber?
   
  Tive uma gigantesca e poderosa âncora no oceano da minha vida, que foi meu pai, mas muitos foram os ancoradouros, nos quais fiz-me segura, forte, faminta de saber.
Esses ancoradouros foram ao longo do navegar, meus professores, uns mestres, outro shidoshi, outrossim técnico, mas...todos Mestres; todos guardados em minhas lembranças, tatuados eternamente em minhas palavras, atitudes, decisões...
Um dia, alguém disse: Voce deveria ser professora! Minha resposta foi imediata, “Não!...Tenho a força, mas falta-me a divindade para ensinar.”
Meus Mestres  levaram-me  ao Olimpo, desceram comigo ao Érebo, fizeram-me navegar por “mares nunca d’antes navegados”, forjaram-me guarda dos Shoguns, guiaram minhas mãos com a pena, elevaram-me ao Cosmos para ouvir estrelas, ofereceram-me o mais valioso dos bens...a Liberdade!

 Oxalá, venha o dia, em que o povo brasileiro entenda , assim como o jovem Choi sente, o quão aniquiladora é a ausência de um professor, de um MESTRE!


Khalit Sabanur

2 Comentários:

Graça Aguiar

Cara Khalit

Não tenho palavras para descrever a emoção que senti lendo seu texto. Suas palavras são um alento para todos nós, que por vocação, abraçamos essa carreira.

Somos taxados de loucos ou então como fracassados, por escolher uma profissão desvalorizada que mal garante a nossa subsistência. Para as autoridades, de mentalidade arcaica, que se sustentam no poder graças à ignorância da população, somos uma ameaça que deve ser satanizada e desqualificada como vagabundos e baderneiros.

Não foi a vagabundagem ou a vocação para a baderna que nos levou à greve, foi o desespero diante da falta de respeito e de diálogo promovida por nossas autoridades.

Se a greve prejudica os alunos, a culpa não é nossa, são as autoridades que se negam a negociar. Pedimos um ajuste salarial de 26% e a incorporação de um benefício que foi parcelado até 2015, entretanto mesquinhamente o poder público protela a negociação, tentando esvaziar a nossa greve informando que somente em 15 de julho – data do encerramento do primeiro semestre – terá condições de saber se há recursos para nos atender.

Paralelamente ao nosso movimento, estoura o escândalo dos benefícios fiscais que já somam 50 bilhões e a cada dia segue aumentando. Enquanto isso um professor com nível superior recebe R$ 765,66 (bruto) e R$ 681,44 (líquido), um bombeiro R$ 930,00 e os PMS trabalham em áreas de conflito sem coletes à prova de bala. E o governo diz que não têm recursos para atender as nossas reivindicações!!!

Anunciam que estão fazendo investimentos, mas falam apenas do total bruto, pois se o valor individual fosse revelado à população, todos iriam perceber que são migalhas. É bom esclarecer que parte significativa desses investimentos, não está sendo feito em recursos humanos e sim destinados aos recursos materiais- aluguel de ar condicionado e computadores, compra de viaturas, etc. A parte que cabe aos recursos humanos são apenas gratificações temporárias que atingem, apenas uma pequena parte desses funcionários, mesmo assim, vai depender de uma série de metas a serem atingidas sem que haja condições para conseguirmos.

Não “estou” professora, por incapacidade ou falta de qualificação para exercer uma profissão que seja valorizada no mercado. SOU PROFESSORA, porque acredito na educação e quero ver o crescimento real do meu país; quero ver as pessoas vivendo com dignidade do seu trabalho, não dependendo das esmolas assistencialistas; quero ver as pessoas exercendo a sua cidadania, escolhendo com critério os seus representantes e fiscalizando a sua atuação parlamentar; quero ver os meus alunos da escola pública em condições de realizar seus sonhos profissionais, pois acredito que os filhos das camadas mais pobres da sociedade também podem se tornar médicos, engenheiros e cientistas e não concordo que os mesmos sejam condenados a um futuro de exploração como mão-de-obra-barata ou jogados nos braços do crime; acredito que o nosso país só será uma potência, quando deixar de ser um mero exportador de produtos agrícolas, como tem sido nos últimos quinhentos anos, pois temos potencial humano e material para sermos uma nação industrial independente, e a Coréia do Sul, já nos mostrou como isso pode ser feito com EDUCAÇÃO DE QUALIDADE.

Não quero abandonar a profissão que escolhi, estou em greve porque quero continuar a SER PROFESSORA!

Em nome de todos os professores e professoras deste país quero agradecer o carinho e o apoio que você dedica à nossa categoria.

Grande abraço

O Árabe

Texto não só verdadeiro, mas por isto mesmo, inquietante. Considero-me feliz, por ter estudado em um tempo em que realmente ouvíamos os mestres e os respeitávamos. :) Boa semana, amiga!

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